O novo é surpreendente, encantador, chocante, cáustico, desesperador, medonho, explosivo e, sobretudo, intenso. O novo é, sobretudo, novo quando remete à um ambiente multiculturalizado, inernacional: um verdadeiro microcosmos do mundo reduzido a um espaço relativamente pequeno entre fiordes, florestas de coníferas e as águas geladas do Mar da Noruega. Viver aqui é um sobresalto constante, um golpe de fúria expressiva que potencializa os mínimos atos e incorre na visceral transubtanciação, de corpo em sangue, de sangue em corpo. Viver aqui é a interminável vontade de compreender o ser em sua espontaneidade incompreensível, posto que é extensão de águas calmas e de troncos que apontam para o topo do mundo. L'omme est condomné a la liberté. What's the hell this man is saying? Ele diz, na verdade, que a liberdade é uma prisão.Hahahahaha. Não tem graça. Ele diz que o homem é apenas uma jaula dúbia: dentro ou fora estaremos igualmente presos. Ou seria o mundo? A linha é realmente tênue para a temida insanidade. The virtue (yeah!) it should be in the midle.Cara, essa escola é piraaada!!!!!! Depois da viagem cartesiana acima (por favor, não levem a sério) posso falar seriamente sobre as experiências vividas aqui. Para começar, no aeroporto depois de toda uma recepção calorosa da minha família em Sampa, como um bom latino, perdi a noção do tempo e achei que tinha perdido o voo (custa-me o acento). Fiquei tão desesperado que entrei na aeronave com mais de uma hora de antecedência. Estavam lá, as
Suddenly, no more than suddenly estava eu imerso numa atmosfera tão diferente quanto agressiva, escravo em uma língua que não falava! Dios mio, donde estan las parras! Havia, entretanto, os latinos para ablarmos lo más perfecto espaniol!bueno, ?non? Pero donde está lo espaniol? Me gusta mucho, el loco braziliano!!!!-exclamavam os latinos diante da minha constatada ignorância. Quem, afinal, não fala espanhol nesse lugar? Só agora percebi o peso do segundo lugar da lista. Actually, it doesn't matter.Nem o inglês domino direito! Estou, entretanto, a melhorar(no bom português, ou seria angolês, ou moçamiquês, ou mesmo brasilês!) Apliquem a relatividade e estaremos bem: espaço e tempo num mesmo diagrama. As três dimensões de espaço, todavia, esfolam o solitário tempo, que, angustiado, apressa os preguiçosos ponteiros do relógio! É dessa exata forma que percebo o mundo daqui: o mundo físico se comrime e parece "existir mais rapidamente" Daí invade aquela súbita e precoce intimidade* com um mundo vernético (criada agora- gostaram? Verne está remoendo no túmulo!) Que tal las classes? Je pense que cest, let me see,.....bueníssimas! O mundo fala a mesma língua em palavras mais ou menos cantadas ou guturais. A gente se entende- afinal temos a mesma composição orgânica! Quem diria, mas a tetravalência do carbono realmente se aplica à vida.
Foram-se os tempos em que a lei oprime uma população porque uma população oprime a lei. O Brasil é realmente uma outra perspectiva, talvez meio perdida na dimensão imediatamente atrelada ao vácuo que nos trouxe até aqui. O maior "problema" aqui é, na verdade, uma questão que se impõe á humanidade: a supracitada liberdade. Nós que não a conhecemos podemos ingenuamente sucumbir diante de um pequeno leque de possibilidades: o mar aberto que leva ao topo do mundo é de tal forma aberto que é difícil vislumbrar um horizonte. As escolhas nos conduzirão até que estejam sólidas o bastante. Então elas mesmas tornar-se-ão a linha do horizonte e a perópria realidade. Que blablablá filosófico chato! Devo ter tirado de algum livro mundano de filosofia! É que se de alguma forma recorro à expressão, sobretudo em domínio público, não podemos negar certo passado histórico...
Peço perdão, o que não diminui o peso da culpa, pelo imenso atraso para publicar!
EACs, matérias, pessoas ABSOLUTAMENTE diferentes de TUDO que eu já vi são apenas ALGUMAS coisas que tornaram esses primeiros dias os mais estranhos da minha vida, mas felizemnete, recomendo a experiência pra qualquer um que não se desespere ao primeiro sinal desamaparo linguístico. Onde está o português? Está lá na Finland House, 203, distante.... Lá mora Bárbara, gente boa do Portugal. Mas, na verdade, aqui mesmo na minha casa, Iceland (a melhor!), há o Márcio-finíssima pessoa (não tomem a força da expressão) de Angola que fala muito bem não só o português, mas também outras tantas línguas.
A escola é uma parte da vida local: pessoas moram bem perto e há um assustador e mal assombrado vilarejo chamado Flekke, que na verdade se resume praticamente e comercialmente a um supermercado. É até irônico, mas você chega com a bicicleta e tal, estaciona, lê na placa alguma coisa em nynorsk (the weird language they speak here), compra os seus caríssimos produtos de primeira necessidade, faz a volta na pista e está fora da parte habitada de Flekke! Na verdade, não é bem assim- apenas uns exageros para acentuar a descrição. Mas creio que 80% ou mais do que eles chamam de cidade na Noruega seriam inexpressivas vilas no Brasil! E ainda por cima são ricos e desenvolvidos! Com um média de piso salrial de 30.000kr! É por isso que uma barra de chocolates aqui pode custar mais de 50kr- e pelo que dizem não é dos melhores!
Meus colegas de quarto são muito loucos: temos guerras entre os quartos e até já tiramos uma de cozinheiros outro dia! Mitch do Canadá (isso mesmo Laura), Motaz da Nova Zelândia, Oyestein da Noruega e Olof da Suécia. As aulas estão tranquilas por agora, mas já posso sentir se aproximar o passo de cobrança, que é, por sinal, muito grande. Bia, tenho um co-year da Costa Rica, e hoje foi o dia da independência deles, na verdade de quase todos os países vizinhos! Hugo, tem muita gente aqui dos EUA, cara! Clara, os asiáticos são ainda mais! Mas o que tem mesmo aqui são NÓRDICOS, muitíssimos. João, os italianos são pessoas muito legais, tenho dois co-years da Itália, Marco e Claudia. E Sofia, os indianos são óimas pessoas: tem uma second-year aqui chmada Shivangi da Índia, bem como meu professor de química, Ashok.
Como todos anteriormente disseram, a vida aqui é intensa. Cada pessoa se mostra diferente e mais interessante a cada vez que nos reportamos a ela. É, sobretudo, difícil falar de algo em que se está totalmente insrido. O que posso dizer, e o mais estranho, é que já estou até me acostumando a ser literalmente um cidadão do mundo. Isso é o mais, diria, absurdo! Na minha classe de filosofia sentam nórdicos, asiáticos,americanos e tudo mais. Tem gente que acredita em Deus, tem gente que acha esse negócio de Deus uma bobagem e outros crêem que não há alma. Tenho, ironicamente, uma colega chamada Alma, que veio do Chile, morou na Suécia e agora estuda na Noruega. Ainda há outra que veio da Suécia, morou no Moçambique (fala português), na Líbia e agora na Noruega. E tem gente aqui que simplesmente fala fluentemente 6 línguas. Outro dia me espantei com o garoto que morou um tempo com padres e eles se comunicavam em Latim! Ele fala Latim que parece fluente- é inacreditável. A vida traz essas surpresas!
A minha forma de escrever acentua algumas graças, embora estar aqui seja algo muito sério, uma grande responsabilidade. Uma seríssima rede de escolas e seus iúmeros colaboradores nos sustentam movidos por um ideal comum: devemos, portanto, acuradamente, repreentar os valores em nome dos quais viemos. Queria aproveitar a oportunidade para agradecer ao comitê basileiro pelo trabalho que realizam e pela experiência que ajudam muitas pessoas a vivenciarem. É ,em definitivo, amplamente contrutivo estar aqui, em todos os sentidos: expandimos absurdamente nossa visão de mundo, conhecimento e a oportunidade acadêmica é fantástica. Temos a comentada visita de Harvard essa semana- (sonho distante!!!) Só um ícone para ilustrar, mas o que é fascinante aqui é a riqueza da convivência...
As eleições estão chegando!!!!!!!!!!!Não podemos dormir enquantos os lobbies vendem o Brasil!!! Votemos em uma idéia comprometida com a realidade nacional, bem como com a viabilidade de sua implementação e não na cara mais maquiada que o dinheiro público pode pagar! Fora os velhos discursos udenistas de oposição! Queremos alguém capaz de assumir a nação ou um súdito do capital externo? Queremos as mentes brasileiras no Brasil (nós temos uma permissão de dois anos)!
O meu conselho é que saibamos otimizar o tempo e maximizar as qualidades, aprendendo com os erros e não sucumbindo diante deles. Os melhores votos a todos! (perdoem os erros ortográficos, mas eles são quase inevitáveis :)
Karl Malone-RCNUWC